domingo, 30 de janeiro de 2011


Ao meu ver, ao se analisar os recentes fatos ocorridos no Oriente Médio, em particular na Tunísia, no Iêmen e, agora, no Egito, faltam alguns elementos fundamentais para poder-se analisar melhor o que está ocorrendo no mundo oriental. Primeiro, não me amedronta nem muito menos me deixa pasmo o fato de na Tunísia e, diga-se de passagem, excetuando-se o jornal "O Trabalho" nenhum outro informativo dito de esquerda, procurou chamar atenção do ocorrido neste país, onde comitês de bairro controlam, inclisive, a polícia, que só pode agir de acordo com as ordens desses comitês populares. E a situação é tão espetacular -do melhor do ponto vista!- haja vista que a população está com o controle da situação e isso, sim, para mim é democracia! Tanto isso é verdade que Iêmen agora e há poucos dias o Egito começam, também a questionar as mesmas coisas, ou seja, pão, paz, trabalho, serviços públicos, etc.

O que falta falar, também, é que tudo isso ocorre porque nme o capitalismo, nem os ajustes propostos seja por Davos, seja pelo FSM podem dar conta de resolver esses problemas pois partem do mesmo principio. Humanisar o capitalismo! Só a mudança para uma economia onde se socialize os meios de produção, onde mude-se a lógica de tentar salvar os especuladores, de defender um meio de produção, ainda que privado, com sustentabilidade, o que é IMPOSSÍVEL, já que lucro se contrapõe a quaisquer limites éticos, humanísticos ou legais, e por que digo isso? Ora, porque só com um mundo onde a solidarierdade tome o lugar dos ganhos de capital, dos ganhos alfandegários e onde se possa viver para dar vida e não trocar algo por algo que me dê vantagem. Desculpe-me, mas ainda repito o jargão do Programa de Transição, Socialismo ou Barbárie! Portanto, torço para que o povo derrube, no Egito, no Iêmen como vêm fazendo o povo tunisiano, cada governo que venha com conversa mole, cai! Até que o próprio povo, através dos comitês tome o controle de governo e governe com o objetivo de dar-se pão, trabalho, paz, terra e soberania, sem as mãos imundas dos imperialismo fracês e estadunidense e sem falsa impressão de "democracia" que as ONGs, os Fóruns, ec. querem nos impor, mas que continuam a deixar nas mãos dos especuladores internacionais o nosso destino! Viva a Revolução na Tunísia! Por uma no Egito e no Iêmen!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 29/1/2011 11:24

Egípcios rejeitam discurso de Mubarak e mantêm protestos







REUTERS

Por Patrick Werr e Alison Williams



CAIRO (Reuters) - O presidente Hosni Mubarak se agarrou ao poder neste sábado, substituindo todos seus ministros num esforço para apaziguar a revolta dos egípcios. Os protestos reúnem dezenas de milhares de pessoas, que exigem o fim do governo de trinta anos.



Mubarak mandou soldados e tanques para a capital Cairo e para outras cidades e impôs toque de recolher, numa tentativa de reprimir os protestos que abalaram a nação mais populosa do mundo árabe, um dos principais aliados dos EUA na região.



Apesar das dezenas de mortes ocorridas durante os confrontos de sexta-feira, o povo voltou às ruas no sábado, desafiando as forças de segurança, dizendo que vão continuar protestando, até que Mubarak saia.



'Não estamos exigindo uma mudança do gabinete. Queremos que todos saiam, Mubarak antes de qualquer um,' disse Saad Mohammed, um soldador de 45 anos, que estava entre as cerca de 2.000 pessoas reunidas na praça Tahrir, no centro de Cairo.



Os destroços de um dia de protestos cobriram a capital do Egito na sexta-feira, quando centenas de milhares de pessoas pediram o fim do governo de Mubarak, um evento sem precedentes num país rigidamente controlado.



Prédios do governo, incluindo a sede do partido do governo, ainda estavam em chamas no sábado de manhã depois de terem sido incendiados por manifestantes que desafiaram o toque de recolher para atacar os símbolos do governo de Mubarak.



Os manifestantes, muitos deles jovens estudantes pobres, reclamam da repressão, corrupção e da falta de esperança para a economia sob o comando de Mubarak, que ocupa o poder desde o assassinato do Presidente Anwar Sadat por islamistas, em 1981.



Segundo cálculos da Reuters, ao menos 74 pessoas foram mortas nos protestos.



Mubarak prometeu atender às reclamações dos manifestantes, durante um pronunciamento na televisão na noite de sexta-feira. Ele dissolveu o seu ministério, mas deixou claro que pretende permanecer no poder e condenou a violência.



O ministério se reuniu no sábado para formalizar a mudança.



Até agora, o movimento de protestos parece não ter um líder declarado ou uma organização para representá-lo, caso Mubarak decida dialogar.



Mohamed ElBaradei, proeminente ativista e Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho com a agência nuclear da ONU, retornou ao Egito, para se juntar aos protestos. Mas muitos egípcios acham que ele não passou tempo suficiente no país.



A Irmandade Muçulmana, um grupo de oposição islâmica, também ficou em segundo plano, apesar de diversos de seus principais membros terem sido convocados. O governo acusou o grupo de pretender explorar os protestos.



O envio de tropas do exército para ajudar a polícia mostrou que Mubarak ainda tem o apoio dos militares, a força mais poderosa do país. Porém, qualquer mudança de opinião dos generais poderá selar o seu destino.



Sábado, as forças armadas ordenaram que os egípcios não se reúnam em grupos e observem o toque de recolher, caso contrário poderão sofrer 'sanções legais.'



Tanques foram posicionados nas vias que levam à praça Tahrir, que estava cheia de entulho, pneus e madeira queimados, usados como barricadas durante a noite.



O número de manifestantes era bem menor do que nos dias anteriores, mas mesmo assim, eles eram bem ativos.



'Isso é inaceitável, Mubarak deve renunciar. A agitação pública não vai parar até que isso aconteça,' disse Mohammed Essawy, um estudante de 26 anos.



Os manifestantes ridicularizaram Mubarak pela demissão de seu gabinete, considerando isso um gesto inútil.



REVOLUÇÃO NO AR



Mahmoud Mohammed Imam, um motorista de táxi de 26 anos disse: 'Tudo que ele disse foram promessas vazias e mentiras. Ele nomeou um novo governo de ladrões, um ladrão vai e vem outro para saquear o país.'



'Essa é a revolução das pessoas que estão com fome, essa é a revolução das pessoas que não têm dinheiro, contra aquelas que têm muito dinheiro.'



A agitação que segue a derrubada do ditador tunisiano Zine al-Abidine Ben Ali, há duas semanas durante uma revolta popular, repercutiu no Oriente Médio, onde outros governantes autocráticos poderão enfrentar desafios semelhantes.



A gota d'água parece ter sido a perspectiva de eleições que deveriam acontecer em setembro. Até agora, poucos duvidavam que Mubarak permaneceria no controle ou traria um sucessor, como o seu filho Gamal, de 47 anos.



Isso também representa um dilema para os EUA. Mubarak, de 82 anos, tem sido um aliado próximo de Washington e beneficiário da ajuda dos EUA há décadas, justificando seu regime autocrático, em parte, citando o perigo da militância islâmica.



O Egito tem um papel importante no processo de paz do Oriente Médio e foi o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel.



O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que falou com Mubarak pouco depois do seu pronunciamento e pediu-lhe para cumprir suas promessas de reforma.



'Quero ser muito claro ao pedir as autoridades egípcias que se abstenham de qualquer violência contra os manifestantes pacíficos,' disse Obama.



Autoridades dos EUA deixaram bem claro que a ajuda de US$ 1.5 bilhões estava em jogo.



Os mercados foram atingidos pela incerteza. O mercado de ações dos EUA sofreu a sua maior queda em quase seis meses, e os preços do petróleo, o dólar e os papéis da dívida do tesouro americano subiram, já que os investidores procuraram aplicações mais seguras.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

11/01/2011 - 08:00

Federico Mastrogiovanni  (fotos de Frederico Mastrogiovanni)
enviado especial a Porto Príncipe





Valas comuns para vítimas de terremoto no Haiti agora recebem mortos da cólera





O contraste entre a barulhenta e superpopulosa Porto Príncipe e Titayenne, localidade no litoral do Haiti, começa a ser delineado na Route Nationale 1, estrada de terra esburacada e cheia de caminhões transportando água e gasolina. No local, as numerosas barracas, montadas com a ajuda de organizações internacionais, complementam a paisagem árida, compreendida entre o campo e o mar. Poderia ser mais uma das muitas cidades empobrecidas do Haiti, mas foi em Titayenne que a maioria dos mortos do trágico terremoto de 12 de janeiro de 2010 foi enterrada. Titayenne é conhecida como a cidade das valas comuns.


Valas comuns na cidade haitiana de Titayenne, usadas agora para os mortos pela cólera.

Atrás de uma colina, longe do mar, há a um pequeno vale escondido. No topo do terreno, é inevitável ser acometido pela sensação de náusea e mal estar profundo: misturado à umidade provocada pelo forte calor, o cheiro dos milhares de cadáveres impregna o ar rapidamente. O grande cemitério em Titayenne, forrado por dezenas de cruzes brancas fincadas no chão, começou a ser formado logo após o terremoto, quando caminhões e carros depositaram sem parar corpos no local.

Leia também:
- Galeria de imagens: Haiti um ano depois do terremoto
- Um ano após terremoto, escombros ainda dominam paisagem do Haiti

"É muito triste pensar naqueles dias", contou Charles, um camponês que fazia reparos em sua barraca, com novas lonas enviadas pela ONU (Organização das Nações Unidas). "Eu trabalhava aqui e tive de deixar o campo para ajudar a enterrar os corpos. Eram centenas de cadáveres", lembrou o haitiano.

Atualmente, além das cruzes, há pequenos amontoados de terra que lembram que o local está repleto de corpos. Nas últimas semanas, contudo, surgiram novos montes no vale de Titayenne. Com a epidemia de cólera, que já vitimou quase três mil pessoas, o lugar “voltou à ativa”.

No campo aberto, uma das valas está aberta. Dentro, cerca de dez corpos, em sacos plásticos, esperam a chegada de outros mortos para que o buraco possa ser coberto com a terra vermelha de Titayenne. Perto da cova, há outras recém-fechadas, formando um pequeno conjunto de montes. O lugar é solitário, embora perto da estrada. "Os corpos não recebem nenhum cuidado", afirmou Charles. "Chegam aqui de caminhão e são descarregados. Se não fossem os Médicos Sem Fronteiras, que ao menos os colocam em sacos plásticos, eles estariam expostos como animais."

Ajuda começa a ser distribuída, mas haitianos pedem para sair do país

A poucos minutos dos escombros, vende-se champanhe a 150 dólares

Falhas na ajuda humanitária provocam violência no Haiti, enquanto crescem críticas à atuação dos EUA

Para os ricos de Porto Príncipe, era como se o terremoto tivesse acontecido num lugar distante

"Eu gritava e fazia sons quando não havia barulho", diz funcionário da ONU resgatado dos escombros

A necessidade de Titayenne

A vala de Titayenne é apenas uma das muitas abertas depois do terremoto, e a falta de cuidado sanitário ajuda a agravar a epidemia de cólera. Dados do Ministério da Saúde Pública e da População do Haiti mostram que desde 19 de outubro de 2010, quando os casos começaram no Haiti, mais de 135 mil pessoas foram afetadas.
"Parece uma brutalidade amontoar os corpos nessas valas, sem nome, todos juntos, sem um enterro digno", admitiu Anne Marie, enfermeira haitiana formada pela Escola de Medicina de Cuba. "Mas há também uma necessidade objetiva, a urgência de enterrá-los em lugares afastados. Em muitos casos o problema é que as autoridades não conseguem descobrir a identidade de alguns mortos. Qual é a alternativa em casos como esses? É fundamental tirá-los da cidade, afastá-los dos demais, para que o cólera não se espalhe."
É necessário afastar os cadáveres, mas "é quase inútil afastar os corpos se continuam expostos às moscas", respondeu Ihomar López, especialista em higiene epidemiológica da Brigada Médica Cubana presente na ilha. "As moscas são um dos transmissores indiretos da cólera e é extremamente importante proteger todas as regiões sob risco. É fundamental dar atenção aos mortos, da mesma forma que os vivos, para evitar que a epidemia continue se espalhando. As valas comuns devem ser bem cuidadas, e não abandonadas à própria sorte, como no caso de Titayenne", concluiu.

Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Reportagem do Ópera Mundi, de hoje, 10.01.2011.

O Haiti somos nós. PRecisamos devolver a independência àquele povo!!!

10/01/2011 - 08:00

Federico Mastrogiovanni
enviado especial a Porto Príncipe

Um ano após terremoto, escombros ainda dominam paisagem do Haiti
Disputa por comida em Porto Príncipe: no aniversário do terremoto, haitianos têm pouca ajuda



Nada mudou. É essa a primeira impressão que se tem ao caminhar novamente pelas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, um ano após o devastador terremoto de 7,3 graus na escala Richter de 12 de janeiro de 2010, que deixou um triste saldo de mais de 200 mil mortos e centenas de milhares de desabrigados. O Haiti, um país que já apresentava problemáticos índices sociais e políticos anteriores à tragédia natural, continua em estado de crise.
Galeria de imagens: Haiti um ano depois do terremoto
Prova da inércia percebida na reconstrução está na quantidade de entulho que permanece espalhada pelas ruas do país. De acordo com levantamento feito pela ONG britânica Oxfam, somente 5% dos escombros foram retirados no Haiti. O documento destacou que quase um milhão de pessoas ainda vive em tendas ou nos escombros da cidade; e que estas pessoas ainda não sabem quando podem voltar pra casa.
Como Opera Mundi pode comprovar, somente os escombros que antes ocupavam as principais vias de Porto Príncipe foram retirados pelas autoridades, porém, em algumas zonas da cidade, ainda há edifícios derrubados e áreas que não foram limpas. O palácio presidencial continua destruído, na mesma posição inclinada de um ano atrás, quando a violência do tremor o atingiu.

Reportagens de 2010 sobre terremoto no Haiti:

- Após terremoto, Porto Príncipe vira cidade-cemitério

- ONU homenageia chefes da missão de paz mortos no Haiti

- Demora na remoção de corpos ameaça gerar epidemias no Haiti

- Ajuda começa a ser distribuída, mas haitianos pedem para sair do país

- A poucos minutos dos escombros, vende-se champanhe a 150 dólares

- Falhas na ajuda humanitária provocam violência no Haiti, enquanto crescem críticas à atuação dos EUA

- Para os ricos de Porto Príncipe, era como se o terremoto tivesse acontecido num lugar distante

"Eu gritava e fazia sons quando não havia barulho", diz funcionário da ONU resgatado dos escombros

Milhões de dólares foram direcionados à reconstrução e centenas de organizações não-governamentais, instituições, governos, órgãos supranacionais intervieram no país. No entanto, a comunidade internacional forneceu apenas 42% dos dois bilhões de dólares prometidos para a reconstrução do país caribenho, conforme relatou a Oxfam.
Mesmo assim, quando se chega a Porto Príncipe e se circula pela cidade, não fica claro para onde foi todo o dinheiro. Pelas avenidas principais da capital, abundam os acampamentos de desabrigados, onde milhares de pessoas começaram a viver como se estivessem em suas casas desde os dias que se seguiram ao terremoto, em condições higiênico-sanitárias muito precárias e de promiscuidade extrema.



Foto: Federico Mastrogiovanni

Ainda faltam moradia e serviços básicos a centenas de milhares de haitianos

A falta de progresso na reconstrução do Haiti é "uma combinação entre a indecisão paralisante do governo, a busca comum dos países ricos por suas próprias prioridades e a falta de energia da Comissão Provisória para a Reconstrução no Haiti, criada por decreto presidencial em 21 de abril de 2010, três meses após o terremoto que atingiu Porto Príncipe e outras cidades próximas”, segundo a ONG britânica. Esta comissão é responsável por gerenciar 10 bilhões de dólares da ajuda prometida ao país. "Tem sido um ano de indecisão e isso deixou a recuperação do Haiti parada", relatou a Oxfam.

Insatisfação

Com a demora, caminha junto a crescente insatisfação popular. Em 1º de janeiro, durante as comemorações dos 207 anos de independência da França, a capital haitiana virou cenário de protestos populares. Barricadas foram erguidas e pneus queimados em manifestações violentas contra um processo eleitoral iniciado em 28 de novembro que ainda não garantiu um presidente legítimo para o país. Nota-se a forte presença militar da Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti), em operação no país desde 2004. Os capacetes-azuis patrulham as ruas em caminhonetes blindadas e apoiam a Polícia Nacional haitiana no controle da população.



Leia mais:

- Tropas de desestabilização

- Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

- ONU pede 164 milhões de dólares para combater cólera no Haiti

- Haiti: taxa de gravidez em acampamentos é três vezes maior que nas cidades

- Mídia explorou tragédia no Haiti e ocultou solidariedade, acusam pesquisadores

- Haiti tem de ser mais autônomo e menos dependente de ajuda externa, diz Amorim

- Brasileiro afastado de missão da OEA no Haiti reitera críticas à ação internacional no país


Apesar disso, respira-se um clima muito tenso, entre o desespero e a expectativa. A impressão geral ante a complexa máquina de ajuda é um misto de desconfiança e necessidade, que em alguns momentos provoca sentimentos de desespero ou frustração.

"Gostaríamos de ser capazes de nos recuperar com nossas forças", afirmou ao Opera Mundi Nadege Dalfan, funcionário do Ministério da Saúde que colabora com diversas ONGs. "Ao mesmo tempo, percebemos que isso não é viável e agradecemos a ajuda estrangeira. Mas isso faz com que qualquer um chegue ao Haiti e se apodere de um pedaço de nossa soberania. É inimaginável a quantidade de organizações, instituições, atores em campo com os quais temos de lidar. É muito difícil e, muitas vezes, as pessoas se desesperam. Por isso entendo as reações populares que de repente passam do limite e se tornam violentas."

Por sua vez, 2010 foi um ano cheio de catástrofes no país, o que complicou muito o planejamento da reconstrução. Ao terremoto seguiu-se a temporada de furacões e, no final do ano, a epidemia de cólera deu o golpe final contra um povo devastado e cansado.



Foto: Federico Mastrogiovanni



Muitos acampamentos foram montados em locais inapropriados, como este em Porto Príncipe, ao lado de um córrego

Em seu discurso na comemoração da independência, o presidente René Préval deixou pela primeira vez de insistir em temas de orgulho nacional com toques populistas, como nos anos anteriores, e admitiu a situação difícil do país. "Estamos em uma encruzilhada muito perigosa", declarou na cidade de Gonaïves, no norte do país. "Além das catástrofes naturais, vivemos uma crise política resultante das eleições de 28 de novembro de 2010."

Inicialmente previsto para acontecer no dia 16 de janeiro, o segundo turno das eleições ainda é incerto. A candidata presidencial Mirlande Manigat, a mais votada no primeiro turno, lembrou que o mandato de Préval termina em 7 de fevereiro: "Se as eleições não forem concluídas antes de 7 de fevereiro, o que vai acontecer?", questionou. Préval não descartou ficar no poder até 14 de maio, tal como indica uma questionada lei votada pelo Parlamento depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010. "O presidente Préval fala pelos seus próprios interesses, que não são os interesses da nação", sustentou a candidata Social-Cristã em entrevista em 4 de janeiro.

E os protestos dos últimos dias uniram o discurso político a um senso patriótico que, com dificuldade, se recupera entre a população haitiana. Um dos slogans dos manifestantes dizia: "Conquistamos nossa independência, portanto hoje somos livres para protestar e exigir eleições democráticas."

Exploração

A total dependência em relação ao exterior se reflete nos produtos consumidos pela população. "A quase totalidade do que se encontra no Haiti, nas poucas lojas ou nas ruas, não é produzida aqui", explicou Anne Soléne, uma idosa que trabalha como vendedora em um mercado perto do palácio presidencial. "Quase tudo é importado de qualquer país. São os outros que ganham com nossa pobreza."
As motos de procedência chinesa levam até quatro pessoas, as caixas de alimentos dos Estados Unidos, França ou América Latina enchem os supermercados e a sensação resultante da observação de Porto Príncipe é de uma inquietação profunda. Um ano depois do terremoto que destruiu centenas de milhares de vidas e uma cidade inteira, o povo haitiano não sabe para onde vai nem o que o aguarda, além da miséria e do desespero que nunca faltaram.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Plínio, Vargas e o PT!

Não há dúvida que a CLT, mesmo com seus vícios fascistas, ttrouxe alguns avanços inexoráveis, que como historiador, jamais poderia negar. Também não é correto dizer que durante a "era" Vargas, a nacionalização do Petróleo não foi um  grande avanço!
Porém, daí a afirmar que Vargas foi um grande "estadista", que ele atendeu aos anseios dos trabalhadores brasileiros já é demais. Não obstante, a suam polícia secreta que assassinou centenas demilitantes operários, suas legislações que atrelaram os sindicatos ao Estado, não permitindo assim, sua livre organização. A sua iterfência no movimento operário, com origem fascista, fiscalizando toda a movimentação dos dirigentessindicais não permitindo nenhum movimento quem contrariasse seus interesses e da burguesia nacional!  Com efeito! a ditadura imposta por esse burguês, defensor dos grandes latifundiários, atendeu aos interesses exclusivos das elites da época, não possibilitando aos trabalhadores, em particularos do campo, nenhum tipo de reivindicação, que se por algum motivo houvesse, prisão e fuzís!
Portanto, o texto que vou reproduzir abaixo, assinado por Plínio de Arruda Sampaio, ao meu ver, é uma visão estreita e que coloca o PSOL nume encruzilhada e nos explica, de certa forma, porque tanto quer atacar o PT ao invés de atacar o PSDB/DEM. Pois, afinal de contas, pelo que o próprio Plínio escreve, são farinha do mesmo saco! Se não, vejam o que diz esse texto!

"Getúlio Vargas


por Plínio de Arruda Sampaio

São Paulo tem uma dívida não paga com Getúlio Vargas. Talvez nenhum outro governante tenha feito mais para o desenvolvimento econômico desse Estado do que o grande presidente.
Não fora a defesa do preço do café, certamente, os fazendeiros quebrariam pela impossibilidade de resistir aos efeitos da crise de 1929. Nessa ocasião, Vargas ordenou a queima de café, a fim de restringir a oferta e manter o preço do produto em um nível mínimo.
Seu antecessor, o "paulista" (de Macaé, RJ) Washington Luiz, que se negou a fazê-lo com uma frase que ficou histórica: "quem não pode pagar entrega o que tem".
Não apenas os fazendeiros são devedores: assumindo a chefia da nação, em 1930, um dos primeiros atos de Vargas foi decretar a legislação trabalhista, o que possibilitou a industrialização do país, da qual o principal beneficiário foi o Estado de São Paulo.
No entanto, apesar disso tudo, não há, na cidade de São Paulo, nem um só monumento, rua, praça ou edifício público importante com o nome do estadista. Políticos com muito menor importância foram aquinhoados com essas homenagens e até políticos estrangeiros tem seus nomes nas placas de lugares importantes.
A ingratidão de São Paulo não é isolada. Os governos da burguesia não dão importância a essa figura maior da política brasileira no ensino na História. Num país de muito poucos estadistas, Vargas figura entre os três maiores deles, junto com por José Bonifácio e o Padre Feijó.
É impressionante, entretanto, o número de brasileiros, entre vinte e quarenta anos, que não têm a menor ideia da personalidade de Vargas e desconhecem totalmente, não apenas o que ele fez, mas a tragédia que cercou sua morte - para ele e para o povo brasileiro.
Essa ingratidão tem um motivo: a burguesia não perdoa Vargas pela edição da legislação trabalhista, porque ela conferiu cidadania à classe trabalhadora e isto, para uma burguesia elitista, preconceituosa e reacionária, é uma afronta.
Basta dizer que, durante a Constituinte, um deputado da base janguista, coagido a votar na emenda de reforma agrária que o Presidente esposava, procurou o relator da mesma com a seguinte frase: "posso votar na sua emenda, mas com uma condição: o trabalhador que trabalha numa fazenda desapropriada não pode receber um lote de terra nessa fazenda". Diante da perplexidade do Relator, ele emendou: "É uma questão de respeito".
Cabe à esquerda resgatar a figura de Vargas. Ela tem certa dificuldade em fazer isto porque Vargas, durante o período em que fingiu flertar com o nazismo a fim de coagir os norte americanos a ceder o know how e a conceder empréstimos para a construção da siderurgia brasileira - peça fundamental para a industrialização do país - deportou a mulher do líder comunista, Luiz Carlos Prestes, para a Alemanha, onde ela foi morta em uma câmara de gás.
O resgate dessa figura maior da nossa História é indispensável, a fim de que as novas gerações possam inspirar-se na sua visão e, sobretudo, em seu nacionalismo para defender o país das agressões externas. "
 
Como podemos ver, resgatarVargas? Deixo essa incumbência ao PSOL. Nãocreio que caiba ao PT defender tal descalabro! Já não me basta o Brizola, o FHC, o Collor, o Sarney e Plínio não só entra nesse coro como quer que a "esquerda " o faça! Faça você, Plínio!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Após 3 dias no XXIII Congresso da APEOESP, aonde trabalhamos muito e, em breve, faremos um balanço, convido a todos para a inauguração da sede do Diretório Zonal do PT da Vila Maria. Conto com suas presenças!!
Até lá!

sábado, 27 de novembro de 2010


Aderente à Internacional Revolucionária da Juventude • Edição 52 Novembro de 2011

Faça parte da Juventude Revolução - IRJ!
Filie-se e organize um núcleo em sua escola,
universidade ou bairro. Clique aqui para se filiar!


Tem início a Conferência
Mundial Aberta


Teve início neste sábado a Conferencia Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração (CMA), que vai até o dia 29 de novembro em Argel, na Argélia.

Convocada pelo Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (AcIT) e organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) da Argélia e pela UGTA (Central Sindical Argelina), desde de já a realização da CMA é uma vitória da luta independente dos trabalhadores e da juventude, com a presença de cerca de 300 delegados de 60 países. Delegados que representam uma ampla diversidade de correntes, sindicatos e organizações politicas do movimento operário em todo o mundo.

Leia matéria enviada pelo delegado da JR-IRJ, diretamente da Argélia









Contribuição ao Encontro de
Grêmios da UBES
Vai acontecer no Rio de Janeiro, do dia 15 ao dia 18 de janeiro de 2011, o encontro nacional de grêmios da União Brasilieira de Estudantes Secundaristas. A entidade coloca como objetivo levar 1500 grêmios do país inteiro, 2000 estudantes ao todo (mais estudantes que em seu último congresso).

É um espaço deformado, não-deliberativo, o que significa que as entidades que vão participar do encontro não vão decidir nada pela nossa entidade. A tese "UBES é pra lutar!", apoiada pela Juventude Revolução-IRJ, coloca a necessidade de chamar uma plenária final, onde iremos decidir a próxima jornada de lutas da nossa entidade e uma pauta de reivindicações para entregar a Dilma.

Leia [+]

 





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JUVENTUDE REVOLUÇÃO - IRJ
www.juventuderevolucao.org

sexta-feira, 26 de novembro de 2010




PRÊMIO IBAC 2010

IBAC – Instituto Brasileiro Arte & Cultura, que todo ano homenageia alguma personalidade da área que infelizmente este, em particular, teve como personagem um de seus patronos, Ismael Guiser, assim como , um documentário especial sobre outro que faleceu recentemente, Johnny Alf, idealizado e criado por Renato de Sá, é um instituto que busca a socialização da arte, onde melhor que qualquer comentário sobre o instituto, transcrevo sua “Home Page” que diz “Aqui encontra-se todo o acervo do IBAC, disponibilizado para consulta pública. Nossa proposta é, muito além de possuir a obra, informar ao público como obter acesso à mesma. Assim, mantemos parcerias com entidades e particulares, que possuem acervos similares ao nosso e também os direcionam à consulta pública. Ao final de cada busca, observe o item localização, para saber como chegar até a obra. Em caso de acervos particulares, consulte o IBAC através do correio da página eletrônica, lá obtêm-se informações básicas sobre cada obra. A consulta na íntegra é feita em nossa sede, não permitindo-se nenhum tipo de cópia, em respeito à legislação de direitos autorais. Caso você não encontre aqui o que deseja, entre em contato conosco. Nosso acervo físico é bem maior do que o encontrado na página eletrônica. A demanda no recebimento das obras é sempre maior do que a possibilidade de informatização das mesmas.”*. Não obstante, existe um conselho de notáveis formado pelo arquiteto Ciro Pirondi, pelo artista plástico Elifas Andreato, por Celso Sabadin, publicitário e jornalista, pelo sociólogo e, atualmente, comentarista esportivo Juca Kfouri, pela cantora, apresentadora e folclorista Inezita Barroso, pelo coreógrafo Ismael Guiser, em memória, pelo futebol, a presença de René Santana, pela área de literatura, nada mais ou nada menos que Ariano Suassuna, na área de memória o político e jornalista Aldo Rebelo, música, em memória, Johnny Alf, e, finalmente, na área de artes cênicas, Milton Gonçalves.

Premio concedido anualmente às personalidades e/ou entidades da sociedade civil que se destacam nas áreas de cinema, música, dança e arquitetura, com convites personalizados, onde um público seleto - de aproximadamente 150 pessoas - é convidado para participar desse evento.

Com pequenas inserções artísticas no início, durante a premiação e no término do evento cultural, no caso abrindo o espetáculo os intérpretes da M.P.B. Caio Cury (bandolim) e  Felipe Pizzutiello (violão), iniciando sua apresentação com uma linda versão do Hino Nacional Brasileiro. A segunda e a terceira inserção couberam aos bailarinos Thais Diniz e Júlio Cesar, coreografados por Gisele Bellot. Entre as duas intervenções houve a apresentação do curta metragem “A Árvore do Dinheiro” baseado em literatura de cordel e vencedor de prêmio internacional! Encerrou-se com uma apresentação musical de excelente qualidade com o Grupo de Choro do Conservatório de Tatuí, onde além de apresentarem-se com choros lindíssimos da época imperial, fizeram-se acompanhar através de uma “comitiva” desde o teatro “Alliance Française” até o local do coquetel “Escola da Cidade”.

Em discurso, abriu o espetáculo, o presidente da Alliance Française, como mestre de cerimônia, houve a apresentação de Milton Gonçalves e Mariana Trama e encerrando o espetáculo, o presidente e idealizador da IBAC, meu grande companheiro de muitas lutas e jornadas, Renato de Sá.

Os Prêmios:

“- maestro Júlio Medaglia (patrono do IBAC na área de música), anunciou e entregou o troféu para Cinema, Vencedor: Revista Eletrônica Zingu!
  Homenageados: Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado, (representada por Rubens Ewald Filho) e Coletivo Alumbramento (representado por Rúbia Mércia)

- Dr. Sócrates, ex-jogador, médico e atual comentarista esportivo, anunciou e entregou o troféu para Música. Vencedor: Fernando Faro (representado por Fernanda Faro, sua filha)
Homenageados: Antonio Nóbrega (representado por Silas Redondo, seu produtor) e Mário Luiz Thompsom

- Décio Pignatari, arquiteto e poeta, anunciou e entregou o troféu para Arquitetura. Vencedor: Maria Elisa Costa
Homenageados: Glauco Campello, Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb

- Maestro Edmundo Villani-Côrtes, músico e arranjador, anunciou e entregou o troféu para Dança. Vencedor: Luis Arrieta
Homenageados: Ivan Grandi, Iracity Cardoso e Inês Bogéa

No final foi feita uma homenagem ao maior colecionador de obras de violão mundial (discos, vídeos, partituras) Ronoel Simões e ao grande Johnny Alf (foi nosso patro na área de música antes de Júlio Medaglia), o pai da bossa-nova, chamado pelo Tom Jobim de "Genialf"!”*
  
* Texto dos promotores do evento

O Povo Carioca Não Merece Isso!

Não obstante, o crime organizado que mais uma vez desafia as instituições de Estado e ataca ferozmente a população carioca e não apenas as forças repressoras estatais, observo através da imprensa e começo a refletir sobre as causas e não sobre as conseqüências desses fatos.

Com efeito, a solução não é colocar caveirões, marinha, exército pois, não tenho nenhuma dúvida, violência, só gerará mais violência ainda! Se não, é só observarmos o que ocorre hoje no Haiti onde sua população pobre é alvejada com tiros na cabeça pelas forças repressoras da ONU comandada pelos generais brasileiros.

Em todos os debates que tenho visto, todos se preocupam, na verdade, com sua própria segurança. Desconhecem a vida do pobre brasileiro, desconhecem seus problemas e, o que é pior, as possíveis soluções para toda essa conjuntura.

Comecemos a analisá-la. Um jovem é bombardeado em menos de dois minutos, pelas peças publicitárias televisivas, em adquirir uma enorme gama de produtos que vão desde um tênis onde um atleta entrega-lhe em seu apartamento até uma cerveja com uma moça – em princípio, de beleza “ariana” – acompanha-o e com um pouco de sorte beijar-lhe-á! Se pusermos isso no lápis, esses dois minutos não saem por menos de mil reais, podendo chegar a cem mil fácil, fácil. Não é difícil aparecer uma propaganda de um carro que o coloca “acima” dos demais! É muito consumo para pouca grana! Se pensarmos que o DIEESE defende um salário mínimo real em torno de dois mil reais e que as centrais lutam bravamente para “tentar” conseguir quinhentos e oitenta reais e, me parece, não irão conseguir mais que quinhentos e quarenta reais, essas peças publicitárias chegam e me causar náuseas. E como esse jovem pode conseguir um emprego honesto para poder adquirir todos esses bens? Trabalhando é muito difícil, mesmo porque o chamado “mercado de trabalho” não suportaria ao menos no modelo de produção capitalista, que todos tivessem a menor possibilidade de adquirir todos esses bens e, mesmo porque, o parque industrial mundial não suporta atender o consumo do conjunto da população mundial, afinal, não é por acaso que a fome na África, a miséria em parte do Oriente Médio, o cólera e a forma como vivem os haitianos hoje, é tido e achado como tudo muito normal!

Com esses dados se conclui que a culpa dessa situação não é do morador das favelas (comunidades, para ser politicamente correto), em mesmo dos crápulas do tráfico, que acabam sendo não só os algozes da população, mas vítimas de si próprios não só no que se refere a curta vida em que levam por conta da disputa por pontos de drogas, mortes em confrontos policiais, mas também pelo uso indiscriminado do produto que vendem e acabam sucumbidos devido as dívidas deixada com as “altas patentes” do narcotráfico. Posso concluir que o verdadeiro responsável por essa situação, sem medo de errar é, sim, o sistema capitalista que consegue gerar todo esse tipo de expectativa em parte dessa população que não tem e nem nunca terá nesse sistema de produção, o direito a todos esses bens. Não é por acaso que em 1936, Leon Trotsky escreveu “Socialismo ou Barbárie” em que atribuía a injusta distribuição de riqueza desse modo de produção, a todas as conseqüências nefastas que seriam arcadas pela população mundial e advogava que só a mudança para a socialização desse modo de produção poderia resolver todo esse caos a que vemos assistindo “via telinha” e que os especialistas, nem de longe, atacam o âmago desse problema.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010


Aderente à Internacional Revolucionária da Juventude • Edição EXTRANovembro de 2010
Dilma, do PT, foi eleita. Agora é hora do compromisso com as reivindicações!
  
Na noite do domingo, 31 de outubro, quando foi declarada a vitória de Dilma, a juventude respirou aliviada pela derrota do candidato do PSDB. Afinal, foi uma vitória dos jovens e trabalhadores, que foram às ruas fazer campanha, levantando as suas bandeiras, suas aspirações, e que votaram para abrir o caminho para ver suas reivindicações atendidas.
 
 
Comemoração da vitória de Dilma em São Paulo

Durante as eleições, a Juventude Revolução esteve junto com outros jovens na campanha do PT, em cuja candidatura os trabalhadores e a juventude se agarraram para derrotar Serra. Neste movimento, coletamos 2400 assinaturas em todo o Brasil numa carta a Dilma, pedindo o seu compromisso com o combate às drogas que se alastram, alienando e matando a juventude.

Para isso, é preciso ter ações concretas que garantam aos jovens emprego, educação, saúde, diversão e arte. Portanto, reivindicamos o aumento dos postos de trabalho para os jovens (com a redução da jornada de trabalho para 40h, por exemplo), mais verbas para educação, melhoria das escolas e 600 milhões para assistência estudantil nas universidades, a construção de centros culturais públicos, o monopólio do Petróleo com a Petrobrás 100% estatal. Dilma recebeu o documento e se disse disposta a discutir. Nós vamos cobrar, estas e outras medidas!
Dilma recebe carta com reivinidicações da juventude 
São questões urgentes, e que exigem que Dilma rompa com aquilo que é ditado pelas multinacionais, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo governo norteamericano. Afinal, esta vitória demonstra a vontade do povo brasileiro de enterrar a política desenvolvida pela elite do país, pelos privatistas, banqueiros, latifundiários. Aqueles que claramente preferiam a vitória de Serra e do PSDB/DEM.
Serra falava em “União Social”, em todos se unirem para "salvar o país". Mas na verdade, trata-se de fazer com que os trabalhadores e a juventude permitam os ataques que tentam retirar direitos e cortar as verbas dos serviços públicos (Educação, Saúde etc.). É o que querem que Dilma faça agora, com a pressão inclusive de “aliados” (como o PMDB). Mas derrotamos esta política nas urnas e, organizados, vamos resistir!

Nem Serra, nem Marina... e nem voto nulo!
Marina, do PV, também fez o discurso da “união nacional”. Enquanto falava em “ética”, era a primeira a propor o corte de gastos sociais, com redução de salários nos serviços públicos. Apesar de ter atraído muitos jovens com a bandeira de defesa ambiental, era financiada por empresas que reconhecidamente agridem o meio ambiente. É muita cara de pau!

A vitória do PT, apesar de todos os ataques, mostra que o povo conhece bem a diferença entre Serra e Dilma, e por isso recusou a falsa saída do voto nulo apresentada por setores esquerdistas. Ainda assim, Plínio (candidato do PSOL) faz a absurda afirmação de que, para a esquerda, era melhor o governo de “repressão” de Serra do que Dilma!

Que fique claro: foram os trabalhadores e a juventude que conquistaram essa vitória e não as alianças com partidos da oligarquia como o PMDB, os mesmos que são os primeiros que querem bloquear o atendimento das reivindicações.

E o caminho agora é construir a unidade da juventude e dos trabalhadores para cobrar o atendimento das reivindicações, como por exemplo, a retirada das tropas do Haiti e a apuração do assassinato de um professor haitiano que manifestava pelo fim da ocupação militar (ver matéria pag.2). É isso o que a JR-IRJ  defenderá em todos os lugares, como na UNE e na UBES, em que defenderemos junto aos estudantes que as entidades organizem unitariamente uma marcha a Brasília para colocar na mesa de Dilma suas reivindicações (ver matérias pag. 2.).

Junte-se a nós nessa luta
A JR-IRJ está ao lado dos jovens que rejeitaram Serra e enxergaram em Dilma o melhor caminho para o atendimento de suas reivindicações. Compreendemos que a juventude precisa de uma organização autônoma de jovens, solidária às bandeiras que estiveram na fundação do PT, da CUT e da reconstituição da UNE e da UBES. Através da livre discussão e com nossa independência financeira e política, podemos achar as respostas para combater para que nos próximos 4 anos de governo do PT os nossos direitos sejam atendidos e garantidos.

Organize-se conosco! Filie-se na Juventude Revolução!



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

 
Economia| 13/10/2009 | Copyleft
Trabalho morto: Marx e Lênin mereceriam Nobel de Economia
Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica. A análise é de Paul Craig Roberts.
"O capital é trabalho morto, o qual, como um vampiro, vive apenas para sugar o trabalho vivo, e quanto mais sobreviver, mais trabalho sugará". (Karl Marx)

Se Karl Marx e V. I. Lênin hoje estivessem vivos, seriam os principais candidatos ao Prêmio Nobel de Ciência Econômica.

Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica.

Na primeira década do século XXI não houve qualquer aumento no rendimento real dos trabalhadores americanos. Houve sim um declínio agudo na sua riqueza. No século XXI os americanos sofreram dois grandes crashes no mercado de acções e a destruição da sua riqueza imobiliária.

Alguns estudos concluíram que os rendimentos reais dos americanos, excepto para a oligarquia financeira dos super ricos, são menores hoje do que na década de 1980 e mesmo da de 1970. Não examinei estes estudos de rendimento familiar para determinar se eles foram enviesados pelo aumento nos divórcios e pela percentagem de famílias monoparentais. Contudo, durante a última década é claro que o salário líquido real declinou.

A causa principal deste declínio é a deslocalização (offshoring) de empregos americanos de alto valor acrescentado. Tanto empregos na manufatura como em serviços profissionais, tais como engenharia de software e trabalho com tecnologia de informação, foram relocalizados em países com forças de trabalho grandes e baratas.

A aniquilação de empregos classe média foi disfarçada pelo crescimento na dívida do consumidor. Quando os rendimentos dos norteamericanos cessaram de crescer, a dívida do consumidor expandiu-se para substituir o crescimento do rendimento e manter a procura do consumir em ascensão. Ao contrário de aumentos nos rendimentos do consumidor devidos ao crescimento da produtividade, há um limite para a expansão do endividamento. Quando aquele limite é atingido, a economia cessa de crescer.

A pauperização dos trabalhadores não resultou do agravamento de crises de super-produção de bens e serviços mas sim do poder do capital financeiro para forçar a relocalização da produção para mercados internos em terras estrangeiras. As pressões da Wall Street, incluindo pressões de tomadas de controle (takeovers), forçaram firmas manufatureiras americanas a "aumentar os rendimentos dos acionistas". Isto foi feito pela substituição de trabalho americano por trabalho barato estrangeiro.

Corporações deslocalizadas ou que passam a encomendar fora a sua produção manufactureira, divorciando portanto os rendimentos dos americanos da produção dos bens que eles consomem. O passo seguinte no processo aproveitou-se da alta velocidade da Internet para mover empregos em serviços profissionais, tais como engenharia, para fora. O terceiro passo foi substituir o resto da força de trabalho interna por estrangeiros trazidos para cá a um terço do salário com o H-1B [1] , L-1 [2] e outros vistos de trabalho.

Este processo pelo qual o capital financeiro destruiu as perspectivas de emprego de norteamericanos foi endossado pelo economistas do "livre mercado", os quais receberam privilégios pela deslocalização de firmas em troca da propaganda de que os americanos beneficiar-se-ia com uma "Nova Economia" baseada em serviços financeiros, e pelos seus sócios no negócio da educação, os quais justificavam vistos de trabalho para estrangeiros com base na mentira de que a América produz poucos engenheiros e cientistas.

Nos dias de Marx, a religião era o ópio das massas. Hoje são os media. Basta ver a informação dos media que facilita a capacidade da oligarquia financeira de iludir o povo.

A oligarquia financeira está a anunciar uma recuperação enquanto o desemprego nos EUA e os arrestos de lares estão em aumento. Este anúncio deve a sua credibilidade às altas posições de onde vêem, aos problemas de informação sobre folhas de pagamento que exageram o emprego e à eliminação para dentro do buraco da memória de qualquer americano desempregado durante mais de um ano.

Em 2 de Outubro o estatístico John William do www.shadowstats.com informou que o Bureau of Labor Statistics havia anunciado uma revisão da sua estimativa preliminar do indicador anual do emprego em 2009. O BLS descobriu que o emprego em 2009 fora super-declarado em cerca de um 1 milhão de postos de trabalho. John Williams acredita que a diferença foi realmente de dois milhões de postos de trabalho. Ele informa que "o modelo nascimento-morte actualmente acrescenta [um ilusório] ganho líquido de cerca de 900 mil empregos por ano à informação sobre emprego".

O número de empregos nas folhas de pagamentos não agrícolas é sempre a manchete da informação. Contudo, Williams acredita que o inquérito às famílias de desempregados é estatisticamente mais correcto do que o inquérito às folhas de pagamento. O BLS nunca foi capaz de reconciliar a diferença nos números nos dois inquéritos ao emprego. Na sexta-feira passada, o número de empregos perdidos apresentado nas manchetes era de 263 mil para o mês de Setembro. Contudo, o número no inquérito às famílias era de 785 mil empregos perdidos no mês de Setembro.

A manchete da taxa de desemprego de 9,8% é uma medida reduzida ao essencial que em grande medida subdeclara o desemprego. As agências de informação do governo sabem disto e relatam outro número de desempregados, conhecido como U-6. Esta medida do desemprego nos EUA fixava-se nos 17% em Setembro de 2009.

Quando os trabalhadores desencorajados pelo desemprego a longo prazo são acrescentados outra vez ao total dos desempregados, a taxa de desemprego em Setembro de 2009 eleva-se a 21,4%.

O desemprego de cidadãos americanos poderia realmente ser ainda mais alto. Quando a Microsoft ou alguma outra firma substitui milhares de trabalhadores americanos por estrangeiros com vistos H-1B, a Microsoft não relata um declínio de empregados na folha de pagamento. No entanto, vários milhares de americanos ficam então sem empregos. Multiplique isto pelo número de firmas dos EUA que estão apoiar-se em companhias estrangeiras fornecedoras de mão-de-obra para tecnologia de informação ("body shops") para substituir a sua força de trabalho americana com trabalho barato estrangeiro ano após ano e o resultado são centenas de milhares de desempregados americanos não relatados.

Obviamente, com mais de um quinto da força de trabalho americana desempregada e os remanescentes enterrados em hipotecas e dívidas de cartões de crédito, a recuperação económica não está no quadro.

O que está acontecendo é que as centenas de milhares de milhões de dólares de dinheiro do TARP dado aos grandes bancos e os milhões de milhões (trillions) de dólares que foram acrescentados ao balanço da Reserva Federal foram despejados no mercado de acções, produzindo uma outra bolha, e na aquisição de bancos mais pequenos por bancos "demasiado grandes para falir". O resultado é mais concentração financeira.

A expansão da dívida subjacente a esta bolha corroeu novamente a credibilidade do dólar como divisa de reserva. Quando o dólar começar a ir, tomadores de decisão em pânico elevarão as taxas de juros a fim de proteger a capacidade de contração de empréstimos do Tesouro. Quando as taxas de juros ascendem, o que resta da economia dos EUA afundará.

Se o governo não pode contrair empréstimos, ele imprimirá dinheiro para pagar as suas contas. A hiper-inflação atingirá a população norteamericana. O desemprego maciço e a inflação maciça infligirão ao povo norteamericano uma miséria que nem mesmo Marx e Lênin poderiam conceber.

Enquanto isso, economistas da América continuam fingindo que estão lidando com uma recessão normal do pós-guerra que requer meramente uma expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico. 07/Outubro/2009

[1] H-1B: categoria de visto para não imigrantes que permite ao patronato dos EUA procurar ajuda temporária de estrangeiros qualificados que tenham bacharelado.

[2] L-1: documento de visto para entrar nos EUA como não imigrante e válido por períodos de tempo de até três anos. São geralmente concedidos para empregados de companhias internacionais com escritórios nos EUA.

[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions. (PaulCraigRoberts@yahoo.com)

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts10072009.html

Este artigo (em português) encontra-se em http://resistir.info/.